Presidente da BP diz que preço dos combustíveis é “difícil de sustentar”

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O gestor da BP acredita que há pouco espaço de manobra para mexer no Imposto sobre Produtos Petrolíferos.

A recente escalada do preço dos combustíveis tem uma forte componente que deriva de opções políticas, assume o presidente da BP Portugal.

A carga fiscal dos combustíveis deveria ser revista?
Nas primeiras 12 semanas do ano, o gasóleo rodoviário na BP aumentou 16,5 cêntimos. Neste valor, a subida do IVA de 21% para 23% corresponde a cinco cêntimos por litro. O facto de o ‘fame’, o componente do biocombustível, ter em 2011 deixado de estar isento de ISP vale outros dois cêntimos. Soma-se a alteração da fórmula de cálculo do biocombustível, agora não regulado. Isto faz com que o gasóleo seja cerca de nove cêntimos mais caro do que seria sem estas alterações, independentemente das subidas do petróleo no mercado internacional.

Mas há espaço para mexer no ISP?
A questão tem a ver com a enorme discrepância de fiscalidade que existe face a Espanha. A diferença é de 20 e tal cêntimos na gasolina, e oito a 10 cêntimos no gasóleo. O problema não é de Portugal, mas sim de Espanha, onde a fiscalidade é anormalmente baixa face aquilo que a União Europeia recomenda. Quando esta é a única fronteira terrestre, toda a base de comparação não tem outra referência, o que nos coloca numa situação, duplamente embaraçosa. Não sei, se a situação das contas públicas do país poderia comportar uma revisão desta fiscalidade. Mas que a fiscalidade é alta, é um facto.

A BP vai entrar no projecto Mobi.e? Qual é o posicionamento face ao carro eléctrico?
Somos parte interessada no Mobi.e. Foi feita uma análise da rede viária nacional e o Governo sugeriu a instalação de alguns pontos de carregamento. Começaremos com uma ou duas posições. A primeira na A1 e a outra a decidir. Enquanto grupo, pensamos que o mercado eléctrico não terá qualquer preponderância nem neste, nem em qualquer outro mercado europeu, nos próximos dez a 15 anos. Não basta ter uma agenda política. É preciso contar com a aceitação do consumidor.

Quais são as perspectivas do negócio para este ano?
Será um ano muito difícil e que seguramente não começou da melhor maneira, nem para os consumidores, nem para as distribuidoras. Tudo vai depender muito da forma como os mercados nos ajudarem. Compreendo que o nível de preços de venda ao público que temos hoje é difícil de sustentar. Até do ponto de vista da economia das famílias, das contas do Estados e das contas públicas do País. Se a conjuntura for menos desfavorável, o mercado pode readquirir um certo equilíbrio no sentido em que teve nos últimos dois anos. Se a tendência continuar, é evidente que haverá aqui um conjunto de impactos que teremos de gerir, mas que não serão fáceis. As coisas terão que ser geridas numa base de excepção.

in Económico

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