Transportadoras: “Já fecharam 25 por cento das empresas”

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António Lóios, Presidente da Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas, revela os problemas do sector e avisa que se o Governo não satisfizer as suas reivindicações irá partir para “formas de luta até à exaustão”.

Leia a entrevista dada ao Diário de Notícias

Quais são actualmente os problemas que afectam os transportadores portugueses?
Temos o quinto gasóleo mais caro da Europa, pagamos mais portagens que todos os outros, temos uma lei de contra-ordenações que em vez de nos favorecer só nos tira competitividade e uma lei laboral que não é adequada à especificidade do sector.

Quanto é que pagam mais de combustível em relação aos vossos parceiros europeus?
Neste momento, estamos a pagar mais 16 cêntimos que os espanhóis e isto retira-nos competitividade. Se não se tomarem medidas, iremos ter graves problemas sociais e de ordem económica no sector dos transportes.

Como solucionam o problema do abastecimento de gasóleo? Fazem-no em Espanha?
Para sermos um pouco mais competitivos, temos de abastecer em Espanha. Existem 39 mil carros que têm licença para ultrapassar a fronteira e mais de metade abastecem em Espanha. As nossas margens são muito reduzidas e essa é a razão pela qual o sector dos transportes português não cresce tanto. Se tivéssemos uma política de combustíveis mais competitiva e mais parecida com a espanhola, seríamos seguramente tão fortes como eles.

De que forma está a actual crise a afectar o sector?
Desde o ano passado até agora já fecharam 25% das empresas de transportes. Temos mais de mil empresas a fechar por mês, estamos com um índice de dissolubilidade confrangedor e isto vai acarretar problemas que não queremos que aconteçam.

Os problemas dos transportadores espanhóis são iguais aos dos portugueses?
Já foram. Mas eles conseguiram resolvê-los. Já têm a legislação sobre o gasóleo profissional aplicada e têm uma convenção colectiva de trabalho muito mais flexível que a nossa. Não pagam tantas portagens, não têm uma lei de contra-ordenações antinacional como nós e beneficiam de uma série de benesses. Têm, sim, problemas de financiamento porque a banca não empresta dinheiro, e de dumping, porque as empresas concorrentes estão a baixar os preços.

Saiba como reduzir gastos em combustível quando o preço aumenta

Quais serão as consequências se não houver negociação com o Governo até dia 24?
Vai ser muito complicado. Porque, se não existir esse diálogo por parte do Governo, as consequências são gravíssimas. Os transportadores serão empurrados para um beco sem saída e, então, perdidos por cem, perdidos por mil. Levaremos as formas de luta até à exaustão, ou seja, até que sejam resolvidos os nossos problemas.

Existe muito desemprego neste sector?
Neste momento, há mais de dez mil trabalhadores que estão no desemprego.

in Diário de Notícias

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1 comentário

  1. Transportadoras on

    Transportadoras Portuguesas como bem publicou o Texto tem problemas sérios, empresas pequenas não conseguem se manter mesmo.
    Paulo

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