Incentivos ao abate de carros antigos para compra de elétricos estão por pagar

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E“O prometido é devido” – a frase não podia ser mais certeira e atual para o caso dos carros elétricos. A reforma da “fiscalidade verde”, em vigor desde o início do ano, prevê entre as suas leis uma taxação inferior para os veículos elétricos que sejam integrados nas frotas empresariais, mas também a atribuição de apoios financeiros aos privados que os adquiram a troco do abate de automóveis com mais de dez anos. A medida fez disparar a entrega de carros velhos e a venda destes veículos “verdes”, porém, até à data ninguém recebeu o dinheiro prometido. Alguns destes automobilistas, não tendo possibilidade de avançar para a compra de carro elétrico sem o incentivo que agora lhes é devido pelo abate, encontram-se há meses sem meio de deslocação.

O Governo quis incentivar os portugueses a comprar carros “amigos do ambiente” e criou apoios financeiros para quem quisesse trocar o seu veículo com mais de dez anos por um carro elétrico. A lei entrou em vigor no dia 1 de janeiro, mas, passados quatro meses, ninguém recebeu um cêntimo deste programa. Os concessionários das marcas dizem que “há muitos clientes que desesperam por receber o dinheiro, pois fizeram as suas contas a contar com o incentivo do Estado”. Outros garantiram à Visão que “já tivemos potenciais interessados em comprar carros elétricos que desistiram por não saberem quando receberiam o dinheiro dos apoios que o Governo prometeu”. “Há alguns clientes que deram o seu carro para abate e, sem a ajuda que o Estado prometeu, não conseguiram comprar o veículo elétrico. Agora não têm nenhum meio de deslocação”, garante um concessionário.

Contactado pela Visão sobre as razões que estão a atrasar o pagamento dos incentivos prometidos no âmbito da fiscalidade verde, o Ministério do Ambiente respondeu que “foram esta semana concluídos, pelo Ministério das Finanças, os procedimentos de autorização financeira que permitirão a célere atribuição deste incentivo “, não avançado com qualquer data para começar a fazer os respetivos pagamentos.

O Ministério do Ambiente garante que, atualmente, existem “cerca de três dezenas de casos em apreciação” de pessoas que compraram veículos elétricos.

 

Vendas disparam

O programa de incentivos ao abate de veículos em fim de vida foi uma das bandeiras da chamada reforma da fiscalidade verde.

O objetivo era premiar que quisesse trocar o seu carro com mais de dez anos, por um veículo amigo do ambiente, como um carro elétrico, um elétrico com extensor de autonomia ou um híbrido plug-in. Para os primeiros, o incentivo financeiro ascendia aos 4.500 euros. Para os restantes, o apoio do Estado poderia ir dos 2.000 euros aos 3.250 euros.

A reforma, que entrou em vigor no dia 1 de janeiro deste ano, fez disparar as vendas deste tipo de automóveis. Nos três primeiros meses do ano, as vendas de veículos de passageiros amigos do ambiente mais que dobraram em relação a igual período do ano passado. Ao todo, foram vendidos em Portugal 108 carros elétricos, 42 híbridos plug-in (carro com dois motores, um tradicional e outro elétrico. Conta com uma tomada de corrente para carregar as baterias) e 5 elétricos com extensor de autonomia (tem também dois motores, mas o tradicional serve apenas para gerar corrente para alimentar as baterias). Nos primeiros três meses de 2014 as vendas não ultrapassaram as 70 unidades.

Ainda não se sabe o impacto que este programa terá nos cofres do Estado. O Ministério do Ambiente diz que “não é possível estimar com rigor o custo da medida do incentivo ao abate, uma vez que a cada venda de um veículo elétrico ou híbrido nem sempre está associado o abate de um veículo em fim de vida, nas condições exigidas pela lei”.

Os incentivos criados para a troca de carros mais poluentes por veículos amigos do ambiente está a produzir resultados.

E poderão produzir muito mais quando o Governo começar a pagar a todos aqueles que aderiram ao programa.

Por: Paulo M. Santos | Fonte: Visão

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