Incentivos ao abate em troca de carros “verdes” convencem poucos portugueses

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Reintroduzidos através da Reforma da Fiscalidade Verde, os incentivos ao abate de carros antigos são atualmente atribuídos em Portugal a automobilistas que trocam o seu automóvel por veículos elétricos ou híbridos. O Ministério do Ambiente está contente com os resultados e números alcançados com a medida, mas a quantidade de veículos elétricos e híbridos adquiridos e em circulação é ainda pouco expressiva face à totalidade do parque automóvel português.

O incentivo ao abate de carros em fim de vida para comprar automóveis mais amigos do ambiente foi entregue a apenas 58 pessoas. Ao todo, o governo atribuiu 241 mil euros em subsídios, 4500 euros por cada troca, segundo as regras da Reforma da Fiscalidade Verde, em vigor desde janeiro.

“Os incentivos à mobilidade elétrica resultaram num aumento significativo do número de veículos elétricos e híbridos em circulação”, garante o gabinete de Jorge Moreira da Silva. Desde que o governo reintroduziu o incentivo fiscal ao abate de veículos com dez ou mais anos para quem compra carros elétricos ou híbridos plug-in, o governo já analisou 85 pedidos, que resultaram em 58 subsídios já pagos. Estão ainda em processo de pagamento outros 20 subsídios.

Mesmo com o incentivo, a verdade é que a aquisição deste tipo de carros é ainda muito pouco expressiva. Entre janeiro e maio deste ano foram vendidos apenas 187 carros elétricos puros, mesmo assim mais 137% do que um ano antes; e 97 híbridos plug-in, mais 273% do que em 2014. Nos últimos dois anos, os carros ambientalmente saudáveis pesaram menos de 1% das vendas automóveis em Portugal, de acordo com os números do governo a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso.

A culpa, dizem os especialistas, é do preço elevado. Os modelos 100% elétricos, por vezes de apenas dois lugares, têm preços que começam na casa dos 20 mil euros. A este valor é preciso somar um encargo mensal entre 65 e 99 euros com o aluguer das baterias. Tudo somado e, considerando uma utilização de quatro anos, o carro elétrico mais barato, o Smart Fortwo, custa 24 mil euros, em vez dos 20 mil iniciais, denuncia a Deco. Este valor contrasta, por exemplo, com o do modelo automóvel convencional mais vendido, o Renault Clio dCi 1.5, de cinco lugares, que custa cerca de 18 mil euros.

Também há ainda pouca oferta, o que dificulta a redução do custo destes automóveis. Se se falar de um carro familiar, de cinco lugares, diminui.

Num teste recente a sete modelos “verdes” diferentes, a Deco recorda que estes carros não são necessariamente menos poluentes. “Um Renault Clio, por exemplo, pode ser menos poluidor do que híbridos plug-in como o Mercedes S500 que emite 201 g/km”.

O incentivo ao abate da Fiscalidade Verde durará, pelo menos, até fim de dezembro.

Por: Ana Margarida Pinheiro | Fonte: Dinheiro Vivo

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