Empresas ainda preferem leasing, mas renting sofre menos com a crise

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Apesar das quebras na venda de veículos novos, leasing e renting continuam a ser soluções privilegiadas para a gestão de frotas empresarial e até as PME estão rendidas a estas modalidades. Os particulares resistem mais, mas já começam a encarar com mais naturalidade o aluguer de viaturas para uso familiar
“O Leasing é a solução favorita na Europa para financiar frotas automóveis, realidade que encontra eco em Portugal ao ser um produto marcadamente escolhido por empresas”, confirma Beja Amaro, presidente da Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting (ALF), numa altura em que uma em cada cinco vituras vendidas em Portugal é financiada em leasing. “Cerca de 70% dos clientes de leasing automóvel são empresas devido às diversas vantagens que o produto comporta, nomeadamente ao nível das taxas de juro, geralmente, mais baixas”, explica Beja Amaro.

A favorecer a escolha desta modalidade de financiamento está o facto de a gestão da frota propriamente dita ficar a cargo da empresa que recorre ao leasing e que dispõe de toda a liberdade para actuar como entender nesta área. Para as empresas, alugar um veículo em leasing significa ter acesso a uma viatura nova com mensalidades fixas e custos mais controlados, já que parte do valor do veículo só é liquidado no final do contrato (valor residual) e apenas se o cliente optar nessa altura por ficar definitivamente com o veículo.

Quanto ao mercado de particulares, apesar de não existirem dados que permitam identificar as taxas de penetração neste segmento, sabe-se que cerca de 30% dos clientes de leasing são particulares, sendo já o Leasing automóvel uma forma de financiamento bastante conhecida entre os clientes individuais. “Sabemos, no entanto, que os particulares estão a ser bastante afetados pela crise económica, pelo que cremos que o recurso ao leasing acompanhará este ciclo”, admite Beja Amaro, em declarações ao OJE.

Moderadamente afetado pela crise está também a ser o mercado de Renting, onde a quebra verificada em 2011 se justifica, em parte, pelo prolongamento da duração dos contratos, mas que, ainda assim, é uma quebra  bastante inferior à das vendas automóveis em geral. “A evolução do 1º trimestre de 2012, analisada isoladamente, não nos deixa satisfeitos, mas se contextualizarmos com as fortes quedas registadas nas vendas de automóveis novos, compreendemos que o renting tem conseguido continuar a resistir melhor à queda do mercado do que a generalidade do setor automóvel”, constata António Oliveira Martins, diretor da ALF responsável pela área de Renting.

O renting começou a crescer em Portugal graças à adesão das empresas multinacionais que recorriam a este instrumento noutros países. Mais do que alugar a viatura, o renting pressupõe a conjugação do aluguer do veículo com a subscrição de um conjunto de serviços associados, que podem incluir a manutenção do automóvel, a troca de pneus, os seguros, o combustível ou a gestão de sinistros, delegando em empresas especializadas todas as preocupações relacionadas com o automóvel.

Na última década o renting ganhou notoriedade e registou taxas de crescimento contínuas elevadas. Só em 2009 viria a sofrer o primeiro revés nesse trajeto ascendente, reflexo da crise que desde o ano anterior assolava os mercados internacionais, com impacto relevante em Portugal. Hoje, o mercado de renting reage como pode a um contexto económico adverso. “Os valores residuais subjacentes ao cálculo do preço do aluguer têm caído, fruto da queda generalizada dos valores de venda dos usados, mas por outro lado têm havido efeitos compensadores, nomeadamente devido aos maiores investimentos feitos pelas marcas nos clientes frotistas e à generalizada convergência entre os prazos dos contratos e os prazos ótimos do ponto de vista económico”, explica Oliveira Martins.

Depois das grandes empresas e das multinacionais, são as pequenas e médias empresas (PME) que dinamizam também o mercado de renting. Oliveira Martins sublinha que “à medida que o Renting tem vindo a ganhar escala, também se têm processado importantes desenvolvimentos tecnológicos que permitem oferecer soluções diversificadas cada vez mais eficientes e disponíveis para diferentes dimensões de frotas automóveis”. Já no segmento de particulares, o renting tem uma expressão bastante mais reduzida, embora crescente. Aqui, “as características que atraem estes clientes ao Renting prendem-se com a passagem das preocupações com a desvalorização comercial e com as manutenções e reparações para a gestora de frotas”, revela Oliveira Martins.

A agitar este mercado, por seu turno, está também o mercado de usados, para onde são canalizadas as viaturas no final de cada contrato. “A diminuição da procura por usados e consequente diminuição de preços já se iniciaram há algum tempo e as empresas de Renting têm tentado mitigar os efeitos destas quebras através de um melhor planeamento e diversificação dos canais de revenda”, alega Oliveira Martins. Por outro lado, lembra ainda o responsável da ALF, “esta situação acaba por estimular o recurso das empresas ao renting, uma vez que pretendem repassar o ónus da desvalorização da viatura para a gestora de frotas”.

Para o final do ano 2012, as projeções apontam para um mercado ainda em contração, afetando leasing e renting em simultâneo. No leasing, a estimativa da ALF aponta para uma quebra de 40%. “Com a redução do número de empresas e de colaboradores e a redução do poder de compra dos particulares, a procura por leasing automóvel também se ressente, sendo importante realçar que o leasing continuará a estar disponível para apoiar a retoma económica”, salienta Beja Amaro. Já no renting, a quebra estimada pela ALF é de 30%. No entanto, Oliveira Martins crê que “a frota gerida irá diminuir bastante menos, limitando-se a quebra do total do mercado de renting a menos de 10%”.

Fonte: OJE

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