Director da Leaseplan avisa que carros eléctricos podem ser problema

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Se os veículos ‘verdes’ tiverem o sucesso que o Governo antecipa, o Estado pode perder 250 milhões de euros por ano em imposto sobre combustíveis.

A ambição do Governo na introdução dos carros eléctricos em Portugal pode ter um efeito «importante» a nível ambiental, mas gerar um «problema» em termos fiscais. A avaliação é de José Pedro Campos Pereira, director comercial da Leaseplan, empresa líder na gestão de frotas em Portugal. Se a meta do Executivo for cumprida e 10% do parque automóvel passar a ter motores eléctricos em 2020, haverá uma perda anual de 250 milhões de euros no ISP – Imposto Sobre Combustíveis, segundo cálculos do SOL.

A Leaseplan tem vindo a desenvolver instrumentos de consultoria em gestão de frotas sustentáveis, para facilitar a adaptação das frotas dos seus clientes aos carros eléctricos. Além das questões críticas que vão condicionar o mercado dos carros eléctricos – como o preço dos veículos, a duração da bateria ou a rede de abastecimento –, uma das questões que, a prazo, terá de ser discutida é a componente fiscal deste mercado.

«Se os carros eléctricos ‘pegarem’ em força e os consumidores aderirem a esta tecnologia, o Estado tem um problema», alerta o responsável, em declarações ao SOL. O Governo lançou no ano passado a rede nacional de mobilidade eléctrica, prevendo-se que, até 2011, sejam criados 1.300 postos de abastecimento de carros eléctricos.

As projecções indicam que, em 2020, cerca de 10% do parque automóvel seja constituído por veículos eléctricos.
Se este cenário se confirmar, a factura energética diminui, porque passa a haver menos importação de petróleo. Mas o Estado arrisca-se a perder um décimo da receita obtida com o ISP, que é pago no momento em que se abastecem os carros.

Menos 10% de receita

Todos os anos os cofres públicos encaixam entre 2,4 e 2,5 mil milhões de euros com o ISP, segundo dados da Direcção-Geral do Orçamento, pelo que a perda anual pode atingir 250 milhões. A este número teria ainda de somar-se o que o Estado deixaria de arrecadar no Imposto Único de Circulação (selo do carro) e no Imposto sobre Veículos (compra do veículo). Estes dois impostos têm uma componente ambiental, e os carros eléctricos, que não emitem CO2, pagam menos.

Para o director da Leaseplan, será «inevitável» que o Governo venha a criar impostos específicos sobre a compra de veículos eléctricos ou sobre os carregamentos. «Uma percentagem muito alta do litro de gasolina é receita fiscal que o Estado teria de ir buscar a outro lado».

Para já, o caminho é o oposto. No Orçamento para 2010, o Governo estabeleceu um benefício fiscal de 5.000 euros para os primeiros cinco mil clientes que comprarem carros eléctricos. Segundo José Pedro Campos Pereira, este é o valor «adequado» para animar o mercado inicialmente: «Provavelmente será o valor que equilibra o valor do carro eléctrico face ao tradicional. Mais do que isso e estaríamos a criar preços artificialmente baixos, que não seriam sustentáveis a prazo».

De resto, o responsável entende que os benefícios fiscais não vão ter impacto no mercado a longo-prazo. «Os carros eléctricos vão ter de competir autonomamente. Há um incentivo simpático para arrancar, mas a massificação só acontecerá se o carro funcionar bem, se o preço for viável e se as baterias puderem ser carregadas sem dificuldades e tiverem uma vida útil suficiente», afirma.

in SOL

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