Conheça as empresas que mais reduziram na factura energética

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Conheça as boas práticas das empresas mais eficientes.
A eficiência energética é uma questão que preocupa cada vez mais as empresas, não só por razões financeiras, como a redução de custos, mas também de sustentabilidade empresarial. De uma forma ou de outra, quase todas as companhias adoptam comportamentos de redução do consumo energético minimizando os efeitos nefastos no meio ambiente.

Mas como medir ou avaliar o grau de eficiência em que se encontram as empresas nacionais? Esta questão foi um dos principais motivos para que a Premivalor Consulting organizou, em colaboração com um conjunto de parceiros de referência, o Barómetro da Eficiência Energética Portugal 2010, o primeiro do género em Portugal. Segundo Telmo Vieira, professor no ISEG e responsável pela elaboração deste estudo e pela elaboração de toda a metodologia criada, “pretendíamos recolher dados e perceber quais as tendências futuras nesta temática”.

Os objectivos principais passavam por demonstrar às empresas que existem mecanismos de redução e optimização dos consumos energéticos, que a implementação dos mesmos é reconhecida e apreciada e promover a utilização de métodos inovadores eficientes na redução energética, aumentando a consciencialização de empresas e cidadãos. Foram enviados questionários às 2.500 maiores empresas nacionais, para que respondessem ou de forma sintética (26 questões), ou de forma alargada (96 questões).

Aquelas que respondessem de forma muito detalhada concorriam ao galardão Energy Efficient Awards Portugal 2010. “Já recebemos propostas de países que estão interessados em elaborar o mesmo tipo de estudo, que é pioneiro no mundo, por isso estamos a trabalhar para exportar o conceito”, remata Telmo Vieira.

Foram criadas duas categorias, a de Empresas Mais Eficientes e a de Empresas Eficientes. Na primeira destacaram-se a Águas do Douro e Paiva, Ana – Aeroportos de Portugal, Carris, EDP, Efacec, Nestlé, Sonae Indústria e SonaeCom.

Conheça a seguir alguns exemplos de boas práticas nesta área.

Sonae arrancou com programa de eficiência de enrgia
Os custos com a energia representam cerca de um terço dos custos totais da Sonae Indústria, pelo que a gestão da energia e a eficiência energética são questões fundamentais dentro da companhia industrial. Daí que tenha assumido o compromisso de prosseguir uma política sustentável de utilização de energia nas suas unidades, atravésda implementação do Programa de Eficiência Energética, que arrancou em 2009.

Segundo a empresa, a gestão da energia melhora a produtividade e qualidade do produto final, diminuiu os impactos ambientais, controla os custos e a vantagem competitiva e fortalece a imagem e identidade corporativa, aumentando a confiança do cliente. E esta gestão, para ter sucesso, requer um esforço integrado de toda a organização.

As boas práticas energéticas fazem parte do seu dia-a-dia. Foram criadas equipas para cada fábrica, responsáveis pela eficiência energética, foi optimizado o consumo do ar comprimido, ajustando a potência a cada utilização, são distribuídas ‘newsletters’ sobre o tema e são afixados indicadores energéticos nos painéis informativos.

Pedro Marujo é o representante da empresa para a Gestão da Energia no INDBEST – Departamento de Boas Práticas Industriais e explica em que consiste este Programa: “Trata-se do aproveitamento das sinergias e boas práticas das várias unidades do grupo e na sua réplica de forma transversal”. As diversas equipas envolvidas têm objectivos definidos de redução de energia – em 2010 o objectivo era de 5% -, avaliam os custos energéticos e propõem cenários de redução. “Os resultados de todas as unidades são monitorizados numa frequência mensal. São utilizados os consumos de energia de cada linha de produção e o respectivo volume de produção, calculando o consumo específico. Este valor é comparado com o valor médio do ano anterior ajustado ao volume de produção”, diz Pedro Marujo. Para garantir o sucesso deste programa a empresa suportou-se na organização orientada para a gestão energética, maximizando as melhores práticas, fazendo auditorias e motivando as equipas de energia.

Águas do Douro e Paiva poupa água e produz electricidade

Se a água é um elemento essencial para o ambiente, então para uma empresa que a gere, a prioridade é estabelecer um compromisso de utilização racional dos seus recursos naturais e financeiros. Este foi o objectivo da Águas do Douro e Paiva (AdDP) que, desde o início da sua actividade, em 1995, adoptou uma política de eficiência energética e consequente redução de custos. Segundo Sérgio Lopes, administrador da concessionária, a “optimização do tarifário da energia consumida, bem como a utilização de energias renováveis e a nomeação de um gestor de energia que gere as questões energéticas e de redução das emissões de CO2” foram essenciais para os resultados alcançados.

Em termos operacionais, a empresa tem lançado concursos internacionais para a contratação de energia através da procura do tarifário que melhor se adapte às suas instalações. No sistema da bombagem, o administrador conta que os equipamentos de velocidade fixa “passaram a ser accionados por variadores electrónicos de velocidade” e foram implementados automatismos em algumas instalações que permitiram a melhoria da eficiência energética dos grupos de bombagem, garantindo a segurança no abastecimento de água”. Foram ainda colocados painéis solares para microprodução de energia em 13 instalações e a maioria dos equipamentos foram substituídos para os da classe A. A AdDP possui também um Centro de Educação Ambiental que serve “como suporte para a formação das gerações futuras na temática ambiental” e realiza um total compensação de Carbono da sua frota automóvel na reflorestação da mata Peneda-Gêres.

Em 2003 recebeu a Certificação Ambiental do seu Sistema de Gestão, fruto do compromisso energético alcançado. Hoje, ser distinguida entre 2.500 empresas de referência “é um motivo de orgulho”. “Este galardão veio atestar a excelência das práticas empresariais colocadas ao serviço da actividade da AdDP na produção, tratamento e distribuição de água a mais de 1,7 milhões de pessoas na área Sul do Grande Porto”, remata Sérgio Lopes.

Efacec conseguiu reduzir em 25% o consumo de energia

A Efacec – Energia, Máquinas e Equipamentos, S.A. teve desde sempre como principal rubrica de custos, no seu principal pólo industrial, em Matosinhos, a electricidade. Por isso, a partir de 2000, classificou a eficiência energética e ambiental como prioridades da empresa, inclusive nos planos anuais. Estes passaram a prever alterações substanciais de processos com impacto ambiental, como a construção de uma ETAR ou a substituição do fuel e propano pelo gás natural. Entre 2007 e 2010, a empresa reduziu 25% no consumo de energia.

Este resultado provém dos dois projectos de eficiência energética adoptados: a Reabilitação de Edifícios e a Racionalização do uso da Energia. Ambos proporcionaram a modernização de equipamentos – tendo em conta os aspectos energéticos -, reutilizaram parte dos materiais dos transformadores antigos na produção de novas unidades, deram incentivo à deslocação de comboio por parte dos colaboradores e optimizaram o arranque dos equipamentos. Na Efacec, a eficiência energética é sinónimo de oportunidade de negócio. Pedro Esquivel, coordenador do Programa Desenvolvimento Sustentável, afirma que a empresa tem incluído produtos, serviços e soluções que conduzam à redução de energia por parte dos clientes. “Nos sistemas de metros e de armazenagem automática estão a ser introduzidas soluções de aproveitamento da energia de frenagem. A Efacec está também envolvida em projectos de eficiência energética em edifícios, no desenvolvimento de componentes para as futuras Redes Inteligentes de Energia (SmartGrids) e no aproveitamento de biogás em centrais de tratamento de águas e resíduos”, exemplifica.
Quanto a projectos futuros, Pedro Esquivel desvenda que “está já em estudo a implementação de microgeração no pólo industrial de Matosinhos e uma nova geração de Sistemas de Monitorização da Energia será instalada no pólo da Maia”. Todavia, é no transporte de pessoas que a Efacec dará cartas, ou não estivesse esta envolvida na rede nacional de carregamento de veículos eléctricos, o projecto Mobi.E.

Na ANA, os aeroportos têm gestores e um comité de energia

A empresa que gere os aeroportos nacionais há muito que se preocupa com as questões dos consumos energéticos. A climatização, a introdução do gás natural no aquecimento das aerogares, a criação de bancos de gelo para o arrefecimento, a existência de sistema inteligentes de controlo e racionalização de consumos de energia, são alguns dos exemplos de sucesso que foram sendo adoptados.

Em 2007 esta área foi alvo de atenção especial, com a criação do Comité de Energia e a nomeação de gestores de energia nos aeroportos. A troca de experiências entre aeroportos, a divulgação de tecnologias disponíveis no mercado, a adopção de medidas conducentes a uma maior eficiência energética foram algumas das iniciativas. A empresa afirma que houve resultados práticos, como a realização voluntária de auditorias energéticas e de planos de redução de energia com metas anuais de redução de consumo. A Premivalor, que atribuiu à ANA o prémio de Empresa Mais Eficiente, aponta como boas práticas o elevado grau de monitorização dos consumos energéticos, a utilização de iluminação LED, o trabalho conjunto com as empresas concessionárias que operam nos aeroportos, numa óptica de redução de consumos e ainda as obras de requalificação dos aeroportos, que têm tido em conta a eficiência energética. “Temos tido consciência de que, para a gestão da energia, é fundamental, numa primeira fase, saber quanto se gasta, onde se gasta, e trabalhar ao nível da redução dos desperdício. Só depois de poderá passar à gestão dos recursos”, diz fonte da empresa. A ANA apostou ainda na instalação de contadores e na análise dinâmica dos consumos, o que ajuda a definir as medidas de redução dos consumos. “Pretendemos melhorar, com a instalação de um sistema inteligente de monitorização de energia eléctrica, com mais de 2.000 pontos de medição, e expansível aos consumos de combustíveis líquidos, de água e de gás”, diz.

Carris, Sonae.com e EDP são as outras empresas mais eficientes

Além das cinco empresas anteriores, também a Carris, a EDP e a SonaeCom foram distinguidas com o galardão de Empresas Mais Eficientes 2010. A Carris renovou a sua frota em cerca de 538 autocarros entre 2004 e 2010, tendo em conta uma considerável eficiência energética. A empresa de transportes públicos apostou ainda na optimização dos seus percursos, procurando as viagens sem vazios, na formação contínua dos tripulantes em condução racional, económica e defensiva, monitorizando o seu desempenho. Criou também um sistema integrado de consumos de energia, água e gás, no Complexo de Miraflores.

Já a EDP apostou na reabilitação energética dos seus edifícios, com isolamento térmico, substituição de lâmpadas de halogéneo e LED e instalou ar condicionado mais eficiente. Fez uma auditoria energética à sua frota de viaturas, avançou com uma renovação progressiva de acordo com os níveis de CO2 e investiu em sistemas de produção de energias mais limpas. A SonaeCom monitoriza os indicadores de redução de emissões de CO2, substituiu
as antenas de 3G por equipamentos mais eficientes e remodelou as lojas ao nível da iluminação e climatização, reduzindo os consumos em 20%.

A Premivalor Consulting distinguiu ainda 13 empresas como Eficientes: Accenture, Agere, Bosh Car Multimedia, Bosh Thermotecnologie, Brisa, Cisco, Lipor, Nova Delta, PepsiCo, Procalçado, Revigrés, Schneider Electric e Toyota Caetano. Estas são empresas que fazem campanhas de sensibilização para a redução dos consumos, que investem em equipamentos mais eficientes e produtos igualmente eficientes, que reduzem os consumos das suas frotas e que monitorizam os seus consumos de energia. Com a continuação das boas práticas estas empresas são candidatas a Empresas mais Eficientes nos anos que se seguirão, já que o prémio ainda está no primeiro ano mas pretende continuar a distinguir as sociedades portuguesas.

Nestlé já reduziu o consumo mas quer um ‘roadmap’ para a energia

A Nestlé pretende ser vista “como uma companhia de referência a nível da conservação de energia e queremos ser reconhecidos como tal”. As palavras são de Sandra Saraiva, especialista na área de Meio Ambiente da Nestlé em Portugal, que assegura que o tema da eficiência energética é a base de todas as operações da empresa. Por isso, “têm vindo a ser desenvolvidas ferramentas próprias de melhoria contínua nesta área”. Na Nestlé, as boas práticas ambientais passam pela redução contínua de energia, pela redução das emissões de dióxido de carbono – no ano passado reduziu 2,5% de CO2 por tonelada de produto acabado -, e pela definição de um orçamento próprio para a redução de energia e de energias renováveis. Além disso, são feitas auditorias para a verificação do cumprimento das estratégias. A empresa renovou equipamentos, controlou consumos, procurou as melhores práticas entre fábricas semelhantes do Grupo e utilizou ferramentas próprias, “Energy Target Settings” (equipas multidisciplinares que vistam as várias fábricas), e co-geração e renováveis. Para a Nestlé Portugal, este é mais um reconhecimento em prol daquele que é um dos nossos principais objectivos: a partilha de valor com a sociedade. No entanto, já tem mais um objectivo a implementar: o ‘roadmap’ da Nestlé para a Gestão da Energia: reduzir, recuperar e utilizar energias renováveis rumo à excelência. Sandra Saraiva explica como será o processo: “O primeiro nível é o uso eficiente dos equipamentos. O segundo é a optimização dos processos, por exemplo, através da recuperação do calor residual. As energias renováveis são o último nível da pirâmide de conservação de energia e o caminho mais sustentável para fornecer energia às operações”. Com isto, a Nestlé espera este ano reduzir em 3% o consumo. E baixar 5% no consumo de água e 10% em emissões de gases até 2015.

in Económico

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