Condutores preferem caminhos tortuosos a pagar portagens

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A introdução das portagens na SCUT do Grande Porto (A41/A42), está a obrigar alguns automobilistas a regressar às curvas da EN 207, atravessando a serra da Agrela, na zona de Paços de Ferreira.

São cerca de oito quilómetros de declive acentuado e de dezenas de curvas sucessivas, grande parte das quais, muito apertadas, que dificultam o cruzamento de veículos pesados, atrapalhando também a circulação dos ligeiros.
Segundo camionistas ouvidos pela Lusa, a viagem entre Paços de Ferreira e o Porto, cerca de 30 quilómetros, pode durar 45 minutos, mais do dobro do que é necessário com a autoestrada.

Segundo estes profissionais, no primeiro dia das portagens na SCUT do Grande Porto, foi visivel o aumento do tráfego de pesados na EN 207 e outras estradas, mas a tendência, segundo Manuel Mota, deverá agravar-se “quando as pessoas começarem a sentir na conta bancária os custos das portagens”.

Este profissional, que tem dois camiões, garante que a sua empresa vai ter de suportar um acréscimo de cerca de 1500 euros por mês só para portagens.

“Vejo isto muito mau. Nós não vamos ter hipótese de conseguir sobreviver assim, não aguentaremos isto. Temos de voltar às estradas nacionais”, afirmou, apontando para a EN 207.

Também o camionista Fernando Costa, proprietário de quatro camiões, disse à Lusa que vai passar a usar a EN 207.
“Voltamos ao tempo antigo”, lamentou, apontando os perigos desta estrada, sobretudo durante o inverno, com a chuva e o gelo.

Apesar disso, as empresas vão ter de suportar os custos, sendo preferível atravessar a Agrela a pagar a portagem entre o Porto e Paços de Ferreira na A42.

“São custos incomportáveis para nós. Já dei indicação aos meus empregados para evitarem ao máximo as autoestradas”, afirmou à Lusa, garantindo que a maioria das empresas do sector estão a optar pela solução.

A Lusa constatou que a EN207, na zona da Agrela, que, além da autoestrada, é o principal acesso viário de Paços de Ferreira ao Porto foi usada por centenas de veículos pesados. Estes camiões transportam os produtos fabricados nas indústrias deste concelho, sobretudo mobiliário, para as infraestruturas aeroportuárias da capital de distrito.

As portagens na SCUT também preocupam o presidente da Junta de Freamunde, que conta agora ver a sua cidade atravessada diariamente por milhares de veículos, muitos pesados, que até agora passavam na SCUT.

“Isto vai ter um impacto tremendo na nossa cidade e não há alternativas, porque a que existe agora terá de se pagar”, afirmou à Lusa José Taipa.

A cidade de Paços de Ferreira vai enfrentar o mesmo problema, porque parte do tráfego com origem em Felgueiras ou Lousada terá de atravessar a área urbana pacense, em direção ao Porto.

in Jornal TVS

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