Comprar um carro a gasolina ou a gasóleo?

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Tendo em conta que o preço do gasóleo está cada vez mais próximo do da gasolina, saiba se comprar carro a gasóleo ainda compensa.

O que compensa mais: comprar um carro a gasolina ou a gasóleo? A questão é bastante antiga mas, provavelmente, muitas pessoas voltam a questionar-se sobre qual será agora a opção mais económica neste momento. Isto porque, os portugueses se viram defrontados no início deste ano com novas subidas nos preços dos combustíveis, sendo que no caso do gasóleo os níveis de preços são mesmo recorde. A gasolina 95 já está com um preço de referência de 1,639 euros por litro na BP, enquanto que no caso do gasóleo, o preço de referência mais elevado já chega aos 1,489 euros por litro. E os especialistas acreditam que esses valores possam ainda ser mais elevados face às tensões actuais no mercado petrolífero internacional devido ao actual conflito entre o Irão e o Ocidente. Há já quem acredite que essa tensão diplomática possa levar o preço dos combustíveis a ultrapassar os dois euros por litro.

De facto, um dos principais dilemas de quem pensa comprar um carro novo é precisamente saber se será preferível gastar mais no ‘stand’ e comprar um veículo a diesel mas que seja mais económico na estrada ou comprar um carro mais em conta, a gasolina, e desembolsar mais na altura de abastecer de combustível. Ao longo dos últimos anos, o que os números nos mostram é que o gasóleo acabou por ser cada vez mais a solução escolhida pelos portugueses, tendo em conta a vantagem do preço do diesel ser mais baixo do que o da gasolina. Segundo os dados da European Automobile Manufacturers Association, em 1990, apenas 4,9% dos carros novos registados em Portugal utilizavam gasóleo, mas em 2010 ( até Agosto) a proporção já tinha subido para 64,9%. Contudo, tendo em conta a actual realidade dos preços dos combustíveis será interessante analisar se esta opção ainda faz sentido. O diferencial entre os preços da gasolina e do gasóleo tem vindo a cair ao longo dos últimos dois anos: o actual diferencial de 0,142 euros compara com os 0,245 euros que se verificava no início de 2010. E, se recuarmos ainda mais no tempo, maiores são as diferenças. Em Janeiro de 2004, não só esse diferencial de preços era maior (0,25 euros) como o próprio preço de qualquer dos combustíveis era consideravelmente mais baixo. Logo a diferença de preço tinha nessa altura um peso bastante mais relevante.

Hoje, como a realidade de preços é bastante distinta fomos tentar perceber qual a diferença de custos que existe actualmente entre as duas opções. Para tal, pedimos ao Gabinete de Estudos Económicos da ANECRA (Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel) que nos realizasse algumas simulações como base em quatro modelos de carros (nas versões a gasolina e a gasóleo) e distâncias percorridas diferentes(15 km/dia ou 70 km/dia). Acima, optamos por apenas apresentar os resultados para um percurso de 70 km/dia.

Segundo os cálculos da ANECRA, que tiveram em conta despesas como o preço de venda de um carro novo, impostos, gasolina e o seguro, verifica-se que na melhor das hipóteses só a partir do quarto ano é que a opção por um carro a gasóleo compensa. Na pior dos cenários será necessário esperar 56 anos para conseguir recuperar o investimento efectuado.

Claro que esta disparidade de resultados advém da diversidade dos cenários construídos. No primeiro caso estão em causa carros familiares ( Renault Mégane e Nissan Qashqai) que efectuam um percurso médio diário de 70 km (25.550 km/ano) enquanto que no segundo caso se trata de um carro de luxo (BMW série 6) que faz, em média, um percurso diário de apenas 15 km (5.475 km/ano). O tipo de utilização que se pretende ter do meio de transporte individual é precisamente a principal variável a ter em conta na altura de comprar carro. Se se tratar de um condutor de “alta quilometragem”, a aposta no gasóleo acaba por se tornar mais compensadora face à gasolina.

No entanto, esta vantagem aparente depende muito do número de anos que o condutor esteja disposto a manter o carro. Por exemplo, no caso de quem optar por comprar o BMW Série 6, é preciso esperar 12 anos até ter um retorno positivo da opção pelo diesel. Contudo, os quatro ou cinco anos que é necessário esperar para que a escolha do carro a diesel comece a compensar nos restantes cenários não são limitativos. Basta ver que os carros a circular em Portugal estão com uma idade média de 10 anos e meio, segundo estimativas para 2011. Já quem tenha por hábito fazer pequenos percursos (15 km/dia) dificilmente a opção por um carro a diesel lhe trará um retorno positivo. Nas simulações apresentadas pela ANECRA, no mínimo será necessário esperar 19 anos para que tal aconteça (Renault Mégane e Nissan Qashqai). Mas, no limite poderá ser necessário esperar 56 anos para começar a ter vantagens.

Fonte: Económico

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