Camionistas: primeiro dia de paralisação marcado por tensão com GNR

0

O primeiro dia de paralisação das empresas de transportes de mercadorias ficou marcado por momentos de grande tensão entre camionistas e militares da GNR em vários pontos do País.

O caso mais grave ocorreu em Barracão, Leiria, onde guardas e motoristas se envolveram em empurrões e o confronto físico esteve iminente. A GNR reforçou a vigilância nas principais vias do País e usou de muita pedagogia para com os piquetes de greve, aconselhando-os a não bloquear as estradas.

Nas primeiras horas de protesto das empresas transportadoras – que lutam contra o aumento do gasóleo, a introdução de portagens nas Scut e a legislação laboral – registaram-se vários apedrejamentos sobre veículos e camionistas que se aventuraram e não pararam. Foi o que aconteceu na A1, IC2, A29 e na A23. Nesta via rápida, à 01h00, desconhecidos arremessaram uma pedra de grandes dimensões contra um autocarro, ferindo um menino de 7 anos que viajava com os pais para Gavião.

Em Barracão, Leiria, os ânimos exaltaram-se ao meio da tarde quando duas centenas de pessoas invadiram o IC2 para obrigar a parar todos os pesados que passavam na via. A GNR reforçou o efectivo, criou um cordão humano e evitou o bloqueio da estrada. Os momentos de tensão foram resultado “da euforia das pessoas”, disse ao CM o tenente-coronel Lourenço Lopes, comandante distrital da GNR de Leiria. A GNR acabou por dominar a situação, identificando vários camionistas. Nas fronteiras, onde não se formaram piquetes de greve, a situação foi de grande acalmia. Alguns motoristas estrangeiros foram sensibilizados a parar – uns fizeram-no outros não.

Os promotores da paralisação garantem que o protesto vai continuar hoje em simultâneo com as conversações com o Governo. O alvo preferencial dos piquetes de greve serão as carrinhas e os autocarros.

LANÇOU PEDRA CONTRA CAMIÃO

No Norte a manifestação dos camionistas centrou-se na zona das Guardeiras, na EN13, na Maia. Muitos dos manifestantes acusaram a GNR, que se manteve no local durante todo o dia, posicionada em locais estratégicos, de tentar evitar que os outros colegas de profissão se juntassem à luta.

“O nosso objectivo é que durante a noite de hoje [ontem]se consiga paralisar todos os camionistas”, disse ao CM um motorista. Durante a manhã um dos manifestantes foi identificado pelas autoridades por ter atirado uma pedra contra um camião. Os protestos continuam hoje, nos mesmos locais.

MENINO FERIDO AO SER ATINGIDO POR PEDRA

A viagem de regresso a Gavião, depois de uma ida em excursão ao Estádio da Luz, em Lisboa, quase acabava em tragédia para a família Pio. Uma pedra com mais de 30 centímetros, atirada de um viaduto da A23, partiu o vidro do autocarro e causou ferimentos em Bruno, de 7 anos. “Ficou cheio de vidros e fez um pequeno golpe no peito.

Mas podia ter sido ainda mais grave se o vidro fosse mais fraco ou se o pedregulho acertasse no motorista. Podia provocar o despiste do autocarro”, disse ao CM o pai da vítima, Nelson Pio, residente em Belver, adiantando: “Foi um acto criminoso”. O menino foi assistido pelo INEM e transportado ao Hospital de Torres Novas. Os 50 passageiros sofreram um grande susto.

in Correio da Manhã

Share.
Saiba mais sobre:   Atualidade

Leave A Reply