Camionistas convocam paralisação para véspera da visita do Papa

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Mais de 20 mil camiões ameaçam encostar nas bermas das estradas para exigir a descida do gasóleo e o fim das portagens nas Scut. Na véspera da visita do Papa.

Vinte mil camiões ameaçam bloquear as estradas, “do Norte ao Sul do País”, em “qualquer dia” depois de 10 de Maio, em protesto contra os elevados preços do gasóleo e a introdução de portagens nas Scut. A greve durará até o Governo “satisfazer as nossas exigências”, garante a Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP), ontem reunida em Rio Maior.

“Vamos repetir o cenário de 2008, mas de forma mais longa”, garante António Lóios, secretário-geral da ANTP, sem comentar o facto de a data da paralisação coincidir com a visita do Papa Bento XVI a Portugal (entre dias 11 e 14). “Lamentavelmente fomos forçados a chegar a este ponto. Não queríamos, mas não nos resta outra alternativa.” E os 150 associados ontem presentes em Rio Maior garantem que a “esmagadora maioria” das 14 mil empresas de transportes do País, uma frota de 59 mil camiões, “vão aderir” à paragem.

O que exigem os camionistas? “A implementação da directiva comunitária que permite a redução de oito cêntimos por litro de gasóleo (a incidir no imposto sobre os combustíveis, ISP) e a redução no custo nas portagens. O que está a ser falado, dizia ontem um transportador em Rio Maior, é um corte de 13 cêntimos por quilómetro percorrido nas auto-estradas. À noite, os transportadores exigem uma redução em 50% das despesas com as portagens.

Os empresários também contestam a introdução de portagens nas actuais Scut – as auto-estradas sem custos para os utilizadores. Dizem-se “enganados pelo Governo”, que avançou com a medida apesar de estarem a decorrer negociações com as empresas.

E pretendem ainda que a lei das “contra-ordenações seja alterada”, porque “é redutora e complicada para o sector”, acusando o Executivo de “maltratar a legislação desde a última revisão”. A revisão do Código do Trabalho “para apoio às resoluções laborais” é outro ponto a acrescentar à contestação.

A 27 de Março, os transportadores fizeram um ultimato ao Governo: tinha um mês para responder às suas reivindicações. Mas o arrastar das negociações e a notícia da introdução de portagens nas Scut fizeram os camionistas perder a paciência.

A paralisação anunciada é “ilegal, defende, no entanto, o Sindicato dos Transportes. “Essa associação é maioritariamente composta por patrões e a Constituição não permite greves aos patrões. Não passa de um lockout encapotado”, defende a Fectrans.

in Diário de Notícias

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