Autarcas prometem renovação das frotas urbanas com eléctricos

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Autarcas entram no projecto nacional a pensar no desenvolvimento económico. Prometem renovação das frotas urbanas e horário alargado para cargas e descargas.

São 25 os municípios portugueses, de Norte a Sul do país, que integram a rede piloto para a mobilidade eléctrica, pensada como um laboratório de experimentação de soluções à escala nacional. Com o objectivo de se preparar para receber os novos habitantes que são os veículos eléctricos, cada autarquia elaborou um plano adaptado à sua realidade. É lá que está definida a localização dos pontos de carregamento, bem como os incentivos oferecidos aos munícipes como contributo para que se decidam a abandonar os veículos convencionais.

Os municípios pioneiros do Programa para a Mobilidade Eléctrica em Portugal, o Mobi.e, são capitais de distrito próximas de Lisboa e do Porto e apresentam taxas de motorização representativas.

O desenvolvimento dos 25 planos municipais para a Mobilidade Eléctrica foi acompanhado pela Universidade do Minho, a entidade escolhida para “garantir consistência a um exercício que, tendo uma escala nacional, seria construído a partir de realidades municipais diversas”. A explicação é do professor catedrático José Mendes, que coordenou a equipa responsável pela “estrutura conceptual comum” dos planos. Estes documentos estão, segundo o professor catedrático, praticamente todos concluídos, aguardandose “nas próximas semanas” a sua aprovação formal.

Em Beja, o documento já foi aprovado pela câmara municipal e o seu presidente, Jorge Pulido Valente, assume a ambição de estar “na linha da frente” no que diz respeito à mobilidade eléctrica em Portugal. Não só pelas “óbvias vantagens em termos ambientais”, mas também pelas potencialidades desta área enquanto “sector de desenvolvimento económico”.

“Queremos trazer para Beja alguns investimentos nesta área”, diz Jorge Pulido Valente, adiantando que a ideia é envolver no projecto parceiros locais, como “empresas privadas na área do comércio automóvel”, e o próprio Instituto Politécnico de Beja, ao nível da investigação. “Procuramos estar envolvidos em todas as frentes que tenham a ver com mobilidade eléctrica”, resume.

Assim se explica que este município alentejano surja lado a lado com cidades como Madrid, Londres, Estocolmo, Oslo e Frankfurt no projecto europeu de promoção de veículos eléctricos EVUE (Electric Vehicles in Urban Europe). “Embora sendo pequeninos, temos um empenhamento superior a algumas cidades maiores”, justifica Jorge Pulido Valente.

Entre os dez parceiros desta iniciativa, destinada à partilha de experiências e conhecimentos sobre a introdução de veículos eléctricos nas cidades, está também Lisboa. “Ainda estamos no princípio, mas queremos estar à frente. Agora a câmara tem de estar atenta a tudo e perceber o que se passa noutros países”, diz o vereador do Ambiente Urbano, Sá Fernandes, sublinhando que a autarquia “deve dar o exemplo”.

É por isso que o plano, em fase de conclusão, prevê a substituição de grande parte da frota municipal até 2013, através da aquisição de automóveis e de motociclos. Segundo Sá Fernandes, estão já ao serviço da autarquia 15 viaturas eléctricas de apoio à limpeza dos bairros históricos, estando a ser estudada a viabilidade de converter alguns dos carros de combustão da frota municipal em eléctricos.

As 25 autarquias da rede piloto para a mobilidade eléctrica foram ainda convidadas a adoptar programas de incentivos à escala local que, como explica o professor catedrático José Mendes, “pretendem alavancar a curva de adopção de veículos eléctricos por parte da população”. Segundo dados do Gabinete para a Mobilidade Eléctrica em Portugal, a funcionar junto do primeiroministro, os incentivos mais escolhidos foram programas de renovação de frotas, microgeração de energia junto a áreas de carregamento, isenção total ou parcial de taxa de estacionamento para veículos eléctricos e estacionamento dedicado para os mesmos.

Em Santarém, foi pensado um outro incentivo que Catarina Pires, chefe da divisão de ordenamento do território, apresenta como uma espécie de “operação de charme”: vai ser criado um “cartão do cidadão eléctrico” cujos portadores com menos de 35 anos benefi ciarão da isenção de taxas de licenciamento na criação de empresas no concelho. Em Guimarães, a autarquia está a ponderar alargar os períodos destinados às operações de cargas e descargas na zona do centro histórico para quem se deslocar em veículos eléctricos.

Na capital, a Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa publicou recentemente um anúncio procurando “um ou mais parceiros para constituir uma sociedade comercial, cujo objectivo é o da implantação e exploração de pontos de carregamento de veículos em instalações ou espaços geridos pela EMEL, considerando a possibilidade de autogeração de energia nesses mesmos locais”.

Para se prepararem para receber estes novos habitantes, os municípios tiveram também de defi nir em que locais vão ser instalados os pontos de carregamento que lhes são atribuídos e que serão instalados a partir deste mês, se tudo correr como previsto. “Centralidade” e “existência de equipamentos geradores de trânsito automóvel” foram, de acordo com o vereador Amadeu Portilha, alguns dos critérios adoptados em Guimarães.

Eléctricos não foram esquecidos na Semana da Mobilidade

A Semana Europeia da Mobilidade que hoje arranca, e que se prolonga até ao dia 22 de Setembro, conta com a participação de 61 câmaras municipais portuguesas. Dessas foram muitas as que incluíram os veículos eléctricos no seu programa de actividades, com o objectivo de dar a conhecer aos seus munícipes soluções de mobilidade mais amigas do ambiente.

Almada, que se apresenta como “a única cidade portuguesa a aderir pelo 10º ano consecutivo a esta grande iniciativa europeia”, vai promover uma apresentação pública do seu plano de mobilidade eléctrica e oferecer viagens no Flexibus, o autocarro eléctrico que percorre o centro histórico.

Em Beja foi já anunciada para o meio-dia de dia 22, num evento que a autarquia adianta que ocorrerá “em simultâneo por todo o país”, a inauguração do seu primeiro posto de carregamento de veículos eléctricos.

Em Serpa começa hoje a circular o miniautocarro eléctrico Serpentina e no Seixal vai haver uma “mostra de veículos ecológicos”, que inclui automóveis híbridos e eléctricos, veículos solares e bicicletas eléctricas.

in Público

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