As novas restrições à circulação de carros antigos em Lisboa e o esforço financeiro que representarão para as frotas de Táxi

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Entrou hoje em vigor em Lisboa a terceira fase do programa ZER – Zona de Emissões Reduzidas – que impõe novas limitações à circulação de carros anteriores a 2000 e 1996 no centro da cidade (fique a conhecê-las em pormenor aqui). Para os táxis, porém, estas regras só vigorarão a partir de dia 30 de junho. Até lá, as associações de taxistas a operar em território lisboeta têm de se preparar e proceder à renovação de frotas.

Os custos e implicações das novas regras de circulação em Lisboa são revelados à conversa com os presidentes de duas associações de táxis portuguesas

Em conversa com a Agência Lusa, citada pelo Jornal i, os presidentes da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários (ANTRAL) e da Federação Portuguesa do Táxi (FPT) reconhecem que as novas medidas obrigarão a um esforço financeiro significativo de substituição e ajustamento dos veículos.

Para Florêncio de Almeida, dirigente da ANTRAL, o período de exceção definido pela Câmara de Lisboa deveria ser alargado, já que considera que “o setor, neste momento, não tem condições financeiras para cumprir”. Tratar-se-á de “um investimento na ordem dos milhões de euros”, no caso da ANTRAL, que prevê a necessidade de substituir entre 500 e 700 carros de praça por forma a garantir o cumprimento da norma de emissão de gases e partículas poluentes estipulada pelo ZER.

Já o presidente da FPT, Carlos Ramos, embora reconhecendo que haverá “um esforço por parte dos empresários para substituir a frota”, destaca o lado mais positivo desta mudança, opinando que se estas restrições tivessem começado a vigorar “há três anos, seria muito pior”. O cabeça da Federação adianta que de 2011 até aos dias de hoje, “a frota [nacional]foi substituída em média em 700 carros por ano […], pelo que o impacto não será tão agressivo.”

Mas que valor representa concretamente o investimento neste tipo de atualização de frotas? Carlos Ramos revela os números: enquanto atualmente são necessários entre 8 000 e 10 000 euros para trocar um carro de praça, há três anos atrás não era possível fazê-lo sem gastar um valor acima dos 20 000 euros.

Este período de exceção, que dita que só a partir de 30 de junho as novas restrições de circulação terão efeito para os táxis, foi decidido pela Câmara “devido às dificuldades que alguns profissionais do setor do transporte em táxi têm vindo a manifestar relativamente à aquisição de veículos de matrícula mais recente”, conforme se pode ler no documento das deliberações da reunião pública realizada a 29 de outubro de 2014. Depois do dia 30 de junho, o período de exceção dividir-se-á em três fases com diferentes níveis de restrições:

– A partir de 1 de julho de 2015 a circulação nas zonas 1 e 2 (ver mapa abaixo) será permitida apenas a carros de praça com matrículas a partir de julho de 1992;

– A partir de 1 de julho de 2016, as regras mudam e passa a haver interdição de circular na zona 1 para táxis com matrículas anteriores a 1996;

– A partir de 1 de julho de 2017, as restrições para estes meios de transporte passam a ser as mesmas que para os carros particulares, ou seja, entre as 7 e as 21 horas de todos os dias úteis, a circulação na zona 1 está proibida a carros com matrículas de datas anteriores a 2000 e a zona 2 será acessível apenas a carros de data posterior a 1996.

Apesar destas regras, todos os carros antigos poderão circular nas zonas interditas desde que apetrechados com equipamentos de redução de emissões, homologados pelo Instituto de Mobilidade e Transportes (IMT), e que cumpram a norma de emissões mínima requerida.

Delimitação das zonas 1 e 2 onde terão efeito as restrições à circulação de carros anteriores a 2000 e 1996, respetivamenteO cumprimento das regras e do calendário estipulados são levados muito a sério por ambas as associações, uma mentalidade que se reflete nas palavras de ambos os dirigentes. Florêncio de Almeida reconhece que “todos os táxis têm que estar adaptados a esta realidade, […] não podem ter restrições de zonas e se as tiverem, naturalmente, só têm é que encostar o carro.” O presidente da ANTRAL sublinha, contudo, a importância e urgência de obter, da parte do Instituto de Mobilidade e Transportes, a homologação do “equipamento para reduzir a emissão de gases”, a qual, “naturalmente, vai também colmatar o investimento que teria que se fazer” com a substituição da frota. Já Carlos Ramos, da FPT, considera que “os táxis também têm que contribuir e fazer um esforço para a melhoria do ambiente na cidade de Lisboa” e que é “razoável e simpático o calendário [de exceções]que a Câmara de Lisboa apresentou“ para a circulação de táxis nas zonas abrangidas pelas novas regras.

 Dados colhidos de Jornal i, Jornal de Notícias e Agência Lusa

Fonte (imagem): Wikipédia/Manuel Correia

Fonte (mapa): Vespa Clube de Lisboa

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