ACP: “Há indícios de concertação de preços entre as petrolíferas”

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Os preços do petróleo caíram 17% em Maio, a maior descida desde o final de 2008, mas os combustíveis não acompanharam a descida e baixaram apenas 2%, alerta o Automóvel Club de Portugal. Entre 3 e 31 de Maio o barril de crude passou de 84,36 para 71,88 dólares enquanto o litro de gasolina sem chumbo baixou três cêntimos (de 1,4 para 1,37 euros a de 95 octanas e de 1,47 para 1,44 euros a 98) e o gasóleo passou de 1,17 para 1,15 euros.

Para Carlos Barbosa, presidente do ACP, esta é uma “situação inaceitável” para os consumidores e por isso exige a intervenção de uma entidade externa. “Nos últimos anos, a Autoridade da Concorrência limita-se a dizer que não há nada a assinalar. Face a esta inoperância, o ACP insiste na necessidade de recorrer a uma entidade externa que investigue a situação de forma exaustiva”.

O dirigente associativo acredita que “há efectivamente indícios de concertação de preços entre as petrolíferas em Portugal”, mas que “só mudando as pessoas à frente da Autoridade da Concorrência ou consultando entidades externas se conseguirá verificar o que é óbvio para todos os portugueses”. O ACP aguarda as conclusões da queixa que apresentou sobre o mercado de combustíveis junto da Direcção-Geral da Concorrência e Preços, em Bruxelas.

A posição do ACP merece a contestação quer da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec) quer da Galp.Virgílio Constantino, presidente da Anarec, mostra confiança no trabalho da Autoridade da Concorrência e da Direcção-Geral de Energia e considera que “há preços diferenciados no mercado, indício de que a concorrência funciona“. Admite, no entanto, que deveria haver relatórios mais amiúde para “manter os consumidores informados e tranquilos”.

Já a Galp lembra que os impostos pesam dois terços no preço final dos combustíveis, pelo que nunca poderiam acompanhar a descida do preço do crude. A petrolífera, que controla 37% do mercado, recorda ainda que o euro caiu a pique face ao dólar, o que acabou a encarecer a matéria-prima.

in Diário de Notícias

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